Pequenas ruminações I
Bibi Ferreira está com 83 anos. Para a maioria dos jovens trata-se de uma ilustre desconhecida, mas eu tive mais sorte e a vi na peça “Roda Viva” de Chico Buarque contracenando com o recém-falecido Francisco Milani e outros grandes atores e atrizes. Isso foi há uns 30 anos.
Seu pai, Procópio Ferreira, é considerado um dos principais nomes do teatro nacional no século vinte e até virou nome de teatro aqui em São Paulo. Morreu numa tanga que dava dó, foi socorrido por Roberto Marinho, já perto dos 80 anos, porque não tinha um gato para puxar pelo rabo. Enfim...
Escrito por José de Arimatéia às 00h43
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Pequenas ruminações II
Mas voltando à Bibi. Ela apareceu numa rápida entrevista na “Vejinha” recentemente e deu em poucas palavras uma senhora lição de vida. É muito simples: Entre um daiquiri e outro ela disse “Não se leve tão à sério. A capacidade de auto-gozação, além da de gozar os outros, evidentemente, é a chave para a longevidade”.
Perfeito. A gente vê muita gente rabugenta, impaciente, chata, cheia de manias, principalmente quando vai envelhecendo. Eu mesmo sou um “envelhecente”, como diria Mário Prata, e às vezes não me suporto. Olho no espelho, caio na real e digo a mim mesmo: “Cara, mas que mania de ter manias, hein? Para com isso, pô! Largue do pé dos outros e do seu próprio”.
Escrito por José de Arimatéia às 00h42
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Pequenas ruminações III
Mas o que é pior é que a moçada também está se estressando além da conta. Velho resmungão, de saco cheio da vida é até compreensível, mas jovens com o mesmo comportamento é preocupante.
Plínio Marcos, dramaturgo feito na rua e na raça, auto-didata da zona do meretrício de Santos e arredores e também falecido, era um desses tremendos gozadores. Ele ia nas faculdades vender seus livros com o seguinte bordão:
“Olha o livro ruim e barato! Olha o livro ruim e barato! Vamos comprar pessoal, eu mesmo escrevi e prometo morrer logo para valorizar esta merda!”
Escrito por José de Arimatéia às 00h42
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Pequenas ruminações IV
É claro que a turma comprava. Testemunhei isso e também comprei quando estudava na FGV. Quando pedi dedicatória, ele disse num delicioso vocabulário de malandro antigo: “Só com autógrafo custa dez paus a mais, com dedicatória são vinte porque tu vai vender esta porra por uma boa grana quando eu bater com as dez, é ou não é?”
Surpreso, olhei para a cara dele e era a cara mais filha-da-puta que se possa imaginar. Ai ele abriu um sorriso enorme e escreveu no livro, evidentemente sem cobrar adicional.
Bibi também é assim. Na peça que está em cartaz ela queria que a chamada fosse: “Venha assistir à última peça de Bibi Ferreira”, como dizendo que vai morrer depois dessa. Os produtores não deixaram. Deviam deixar, qual o problema? E se ela morrer mesmo? Vai mudar o quê?
Escrito por José de Arimatéia às 00h41
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Pequenas ruminações - Final
Olha só. É besteira tentar compreender o mundo, a vida, por que estamos aqui, de onde viemos e para onde iremos. Isso é do foro íntimo de cada um, ninguém sabe a verdade e quem se arvora em dizer que sabe é um tremendo ignorante.
Menos seriedade gente! Menos! Vamos tentar não nos levarmos tão secamente, a vida passa muito rápido, é um flash na máquina fotográfica de Deus. O segredo é o equilíbrio.
Não precisa ser um tremendo de um vagabundo contumaz, tipo Dorival Caimmy (não sei se é assim mesmo que se escreve o sobrenome dele, mas vocês sabem quem é), mas também não precisa ser o Bill Gates cuja fortuna já é contada em cagalhões de dólares, e o puto ainda acha pouco.
Escrito por José de Arimatéia às 00h40
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